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sábado, 13 de novembro de 2010

Noite fria

O frio gelava todo o seu corpo. Era tarde da noite e talvez o melhor que ele pudesse fazer era dormir. Mas, agir com a razão não era um de seus pontos fortes. O cesto cheio de papéis amassados, pedaços de pensamentos jogados no lixo. Suspiros em meio ao turbilhão em que ele se encontrava.

Os abraços não estavam mais lá. O olhar era diferente. Ele se sentiu vazio. Um nada. Um qualquer. A indiferença era uma faca afiada, enfiada no meio do peito. Os olhos lacrimejavam, mas ele fingiu ser forte. Tá, fingir não era o seu ponto forte, ou melhor, nunca foi.

A mão continuava a escrever mais e mais pensamentos. A cabeça não parava de pensar e o coração apertado tentava suportar a dor do vazio. Em sua cabeça, imaginava trinta e sete milhões de cenas a toda vez que ela olhava para os lados, lia cartas, parecia distante, parecia pensativa.

Foi então que ele parou de escrever. Fechou os olhos por alguns segundos. Imaginou o abraço apertado. Ele precisava dele. Muito. Respirou bem fundo.

Ele sabia que ela não estava ali.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Felicidade verdadeira

Depois de permanecer horas sentado no banco da praça, respirou fundo, tomou coragem e levantou, seguindo de volta pra casa. Andava com sua cabeça em total conflito. Todo aquele tempo tentando esquecê-la, tentando estar, pelo menos, um pouco mais longe de tudo o que o fazia relembrar da sua história, parecia ter sido em vão.

Remoendo-se em pensamentos, relâmpegos começam a soar e o céu, já escuro, começa a se tornar cada vez mais ameaçador. As nuvens tampam a pouca luz que a lua ainda insistia em lhe oferecer. Seu coração aperta ao ver sua casa ao longe e, então, ele fecha os olhos com toda a força que lhe sobra, esperando que tudo possa acabar ao abrir seus olhos, que tudo não teria passado de um grande pesadelo.

Uma pequena gota de chuva toca seu rosto. Ele abre os olhos assustado e começa a correr desesperadamente, percebera que tudo era real. A chuva aperta, assim como seus passos, cada vez mais próximos de chegar em casa.

Enquanto corre, já ensopado pela forte chuva, seus pensamentos aceleram na mesma velocidade de seu pés e, antes que ele pudesse organizar sua confusa cabeça, finalmente chega em casa. Abre a porta, joga seus sapatos no canto e corre para se enxugar sem que percebam a grande bagunça que já faz ao caminhar pela casa.

Sobe apressado as escadas, escancara a porta de seu quarto e corre em direção a sua mesa repleta de cartas, flores e fotos. Cansado, cai ao chão de joelhos e começa a espalhar todas as cartas, enquanto seu rosto se encharca novamente, dessa vez repleto de lágrimas. Suas lembranças, emoções, sentimentos, todos estavam destruídos em meio aos papéis jogados, toda a história teria sido em vão, pois não mais era real, não mais era plena, pelo menos não para ele.

Um breve silêncio se faz, o céu se acalma, as lágrimas secam e, ao respirar fundo mais uma vez, agora sim, se sente preparado para seguir em frente. Não mais confuso, não mais com medo, ele se levanta e pega um retrato dela, guardado no fundo da terceira gaveta. Abre um tímido sorriso, guarda o retrato novamente e, enquanto enxuga suas lágrimas, finalmente consegue compreender que a felicidade que tanto buscou, não era ao lado dela, mas sim, a que estava escondida atrás do sorriso sincero que ela sempre o deu, mesmo que esse fosse a distância, a mesma em qual se encontram hoje.