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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Diário de um anjo

Alguma coisa parecia estar diferente. Estranho, pois quando tudo parecia finalmente se encaixar, lá estava ele novamente perdido em meio aquele labirinto sem saída. Confuso, cansado, sua mente pairava por entre nuvens de raiva e conformismo. Estaria ele voando por tortuosos caminhos?

Blasfêmia, diria. Ele tinha certeza que sua força era suficiente para reerguer qualquer um. Mesmo sabendo que se gastasse tanta energia, ele não seria forte o bastante para subir novamente.

Não importa, disse. A única fonte de energia que ele precisava era ver aquele sorriso pessoalmente, poder sentir seu abraço, nem que fosse por um só dia. Sentir-se envolto em braços que o fizessem esquecer de todo o resto.

Ele era capaz de olhar por além dos olhos. E tudo o que ele queria era conseguir ter a certeza que tudo acabara bem, apenas sentindo o pulsar do coração dela colado ao seu peito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O segredo das coisas bobas

A intensidade com que vivemos cada momento nos permite trazer para apenas um segundo de distância a eternidade de momentos inesquecíveis, a lembrança de amizades passadas ou o carinho de antigos amores.

Talvez esse seja o grande segredo da vida. Os pequenos gestos perdem significado em meio ao mundo da velocidade eletrônica. Somos programados para o básico, para funcionar submetido há um tempo proposto, programados para esquecer a importância de um abraço apertado ou de um simples "olá" carinhoso.

O que nos faz ser condicionados ao novo, ao diferencial, algo que nos preencha, que nos traga a felicidade instantânea, sem demora, sem complicações, tal como uma poderosa fórmula secreta.

Enquanto isso, as pessoas esquecem do quanto é bom receber um beijo molhado, um carinho, aquele abraço apertado que te faz perder o fôlego por alguns segundos e voltar a respirar com a impressão de ter pisado na lua. A sutileza do perdão, o carinho do amor verdadeiro, falta ao homem a simplicidade de se preocupar com as coisas bobas da vida, as mesmas coisas bobas que te fazem perder o chão com a rapidez de um piscar de olhos.